É oficial, gurizada. O cheiro de Copa já está no ar. E não é cheiro de gramado molhado, de churrasco pré-jogo ou de cerveja gelada. É cheiro de papel novo, de cola de figurinha e de desespero para completar o álbum.
Sim, ele chegou. O Álbum da Copa. Aquele que, por um breve período, transforma marmanjo barbado em criança de novo, trocando repetida e chorando por figurinha lendária. E, convenhamos, é o único “campeonato” que o Millo ainda consegue disputar sem ninguém sair machucado, com dor nas costas ou reclamando do juiz.
Porque futebol de verdade, a gente sabe, virou luxo. Virou memória. Virou foto antiga no grupo de WhatsApp. Mas o álbum, ah, o álbum! Ele é a desculpa perfeita para a gente voltar às raízes. Não as raízes do futebol, que essas já viraram grama sintética e lesão no joelho. Mas as raízes da resenha.
Cadê a turma que se dizia “colecionador raiz”? Os que tinham a manha de sentir a figurinha no pacote? Os que faziam a troca mais justa? Ou vocês viraram tudo colecionador de NFT e só trocam sticker do WhatsApp?
O Millo sempre foi mais do que um time. Era um pretexto. Um motivo para a gente se encontrar, cornetar, rir, brigar por bobagem e, no fim, tomar uma cerveja e jogar conversa fora. E o álbum da Copa é a desculpa mais honesta que a gente tem para fazer isso de novo.
Porque, sejamos francos, a gente não vai mais jogar bola. A gente mal consegue correr atrás do próprio rabo. Mas trocar figurinha? Isso a gente ainda faz com maestria. E com a mesma dose de pilantragem de sempre.
Então, a provocação está lançada.
Quem vai ser o primeiro a aparecer com o álbum debaixo do braço, a lista de repetidas na mão e a cara de pau de pedir a figurinha que falta, prometendo mundos e fundos?
Quem vai ter a coragem de organizar a primeira “mesa de troca” do Millo, com cerveja, churrasco para relembrar os velhos tempos?
Ou o Millo virou só um grupo de WhatsApp onde a gente manda áudio de 5 minutos sobre a tática da seleção e posta foto de churrasco que não convidou ninguém?
O álbum da Copa é a chance de provar que a gente ainda tem um pouco de vida fora da tela do celular. Que a gente ainda sabe se encontrar, olhar no olho e, quem sabe, até trocar uma figurinha sem precisar de pix ou de link de grupo.
ÁLBUM DA COPA: A ÚNICA CHANCE DO MILLO VOLTAR A SE ENCONTRAR SEM SE LESIONAR?
Quem topa a troca de figurinhas presencial? E quem vai trazer a cerveja?

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